Karma.

    A imagem acima ilustra perfeitamente para mim o que um ciclo representa, o poder da reação em cadeia, do efeito dominó de causa e efeito que um simples ato gera em nossas vidas, e não estou nem levando em consideração o reflexo desse ciclo nas vidas alheias as nossas, senão a cadeia seria ainda maior e mais complexa.

    Uma das coisas mais complicadas, pelo menos para mim, é entender e aprender quando um ciclo deve ser fechado antes que a ele seja reiniciado sem que eu perceba, e mais complicado ainda é aceitar que um ciclo se fechou. Se acreditarmos em dom, aquela capacidade que Deus deu para os humanos se destacarem em uma área específica, eu tenho certeza que o meu dom foi o de ser cabeça-dura, e nisso eu me destaco com primazia. E não, eu não me orgulho disso.

    Esse “dom” que eu tenho muitas vezes me ajudou a persistir em uma ideia que muitos falavam que era errado e no final se mostrou certa, porém me atrapalha bastante no que tange a entender quando uma ideia não me serve mais, e ideias são o passo inicial de um ciclo, e essas mesmas ideias são o que fazem um ciclo se perpetuar.

    É muito complicado para nós assumirmos que uma escolha foi errada, que uma ideia foi tomada de maneira equivocada, que demos um passo sem medir suas consequências, mas dar o braço a torcer é uma qualidade tão venerável quanto a persistência, no entanto, é um exercício infinitamente mais desgastante, pois nos dá a impressão de fraqueza, imperfeição. Demanda na verdade muita coragem assumir que é hora de mudar o rumo de certas coisas.

    Transferindo essa ideia para o dia-a-dia, é possível vermos vários ciclos iniciando e outros vários se fechando. No meu cotidiano, vinculado fortemente ao mundo da Educação Física, é muito visível isso. Mais visível ainda é ver que as pessoas não conseguem perceber quando um ciclo se fecha. Reclamações diárias sobre “não consigo perder peso”, “não consigo ganhar músculo” e “não consigo aumentar os pesos do supino”, são as coisas mais comuns de se ouvir. E logo depois disso começam as tentativas de se compreender o porquê de não se alcançar os objetivos. “Eu como de 3 em 3 horas e mesmo assim não emagreço”, “eu faço treino de hipertrofia já fazem 6 meses e não ganhei quase nada”, “eu estagnei no mesmo peso no supino tem quase 1 ano, mesmo fazendo treinando força todos os dias”. Pra mim não há resposta mais clara que essa para todas as reclamações: Esse ciclo não te serve mais!!!

    Mais difícil ainda que assumir que um ciclo não serve mais, é convencer uma pessoa de que esse é o problema. Por várias vezes me pego tentando mostrar para o marombeiro viciado em hipertrofia, que ele não vai mais crescer se não mudar o estímulo, que a pessoa com sobrepeso não precisa ficar escrava do relógio para conseguir emagrecer, que o levantador de peso precisa descansar o sistema nervoso com outra série que não seja a de força para que ele possa aumentar a carga de peso, e que eu não devo ficar me intrometendo na vida dos outros querendo mudar aquilo que a própria pessoa não deseja mudar.

    Eu estou num processo de aprendizado muito grande com relação aos ciclos, estou aprendendo na marra a mudar de ciclos e visualizar quando eles não me servem mais. Na alimentação, nos treinos, nos estudos, nas diversões. Essa mudança de ciclos é que tornam a vida um local de aprendizado e não de passagem, esse aprendizado e o que você vai transmitir dele é o que vai determinar que legado você vai deixar para as próximas gerações que vão tê-lo ou não como exemplo.

    Não se prenda a um ciclo só porque você prega ele ou passou a vida inteira pregando, se este não se aplica mais a sua vida. Não defenda nunca uma ideia pelo simples fato de ela ser conveniente para você somente em um determinado momento, apenas pratique-a. Se você se vincula a um ciclo específico e tenta propaga-lo para outras pessoas, se prepare para explicar os motivos de você não pratica-lo num futuro, pois provavelmente você não o praticará mais. E entenda que a vida é feita de ciclos e que quem determina quando estes ciclos não servem mais é você. Ficar preso ao Karma sem pelo menos tentar mudar é morrer passivamente.

 

Bonus Time!

    Hoje o Bonus Time não é um treino específico, mas uma ideia de ciclo.

    Quando for programar seu treino, pense em ciclo e não em um único objetivo.

    Comece esse macro ciclo com micro ciclos, o primeiro micro ciclo vai ser de adaptação, bastam 2 semanas com pesos leves e repetições moderadas. De 15 a 12 repetições. Após esse ciclo inicial, faça um ciclo de resistência, antes de entrar diretamente na hipertrofia, com séries de 16 a 20 repetições, sempre com o máximo de carga para essas repetições. Após esse ciclo parta para um ciclo de hipertrofia, você vai ver que após o ciclo de resistência, suas articulações e seus tendões vão estar muito mais fortes para suportar as cargas mais altas do treino hipertrófico. Após um certo tempo nesse ciclo hipertrófico, passe para o ciclo de força e veja como os seus músculos novos são capazes de levantar muito mais peso do que você acreditava ser possível, o treino de força é muito mais voltado para o sistema nervoso e vai prepara-lo para um novo ciclo de resistência com cargas muito mais altas, auxiliando você na manutenção da massa muscular nesse período de repetições mais altas… E um novo ciclo começa.

    Supino, Remada, Agachamento, Levantamento-terra, e suas variáveis, são disparadamente os exercícios que você deve dar mais valor, pois ativam uma maior quantidade de fibras musculares e você acaba tendo que fazer menos exercícios para atingir os mesmos resultados.

    Em resumo: Adaptação – 3 séries de 12 a 15 repetições (2 semanas). Resistencia – 2 a 4 séries de 16 a 20 repetições (1 mês). Hipertrofia – 2 a 4 séries de 12 a 8 repetições (2 meses). Força – 2 a 4 séries de 4 a 6 repetições (1 mês). Comece esse ciclo de 4 meses junto com o início do Verão, e você não terá que fazer o nojento “Projeto Verão”, que dura 3 meses antes do Verão. Em 1 ano, treinando certo, respeitando o ciclo e a alimentação e você nunca mais precisará fazer “projetos”.

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